Oração à Placa-mãe

Das memórias do facebook:

Uma oração ao meu notebook que irá daqui a pouco para assistência técnica depois de um infeliz incidente com acetona (que além de remover esmalte também reseta sistemas, quem diria?).

Pai nosso, que estás online
Santificado seja o Vosso Drive
Venha a nós os vossos firewalls
Seja feita a varredura completa,
Tanto offline como online
A bateria nossa de cada dia alimentai hoje
Perdoai-nos os nossos downloads
Assim como nós perdoamos a
Quem nos envia vírus
E não nos deixeis cair a rede
Mas livrai-nos dos malditos Hackers.
Amém

agua-teclado

Vamos rápido!

Ia eu a observar as pessoas no autocarro em meu caminho diário para o trabalho. Costume adquirido há muito, datado de meus primórdios tempos de utilização de transportes públicos. Daquela época em que não havia 3G ou música nos telefones celulares, mas pelo menos já existiam os celulares. Havia esquecido o meu. Talvez por isto tenha recorrido a hábitos costumeiros a toda a gente, mas que nos tempos que correm são feitos através das pequenas máquinas ao invés da observação do mundo ao redor.

Notei a alguns assentos à minha frente uma cabecinha loira com dois laçarotes amarelos gigantescos pendurados nos pouquíssimos cabelos lisos. Esta imagem levou-me imediatamente a minha infância e à minha própria cabeça loira a pesar com laçarotes gigantescos. Ao seu lado estava uma senhora mulata de cabelos bem escuros.

Meu primeiro e óbvio pensamento foi de que aquela não devia ser a mãe da menina, mesmo que bem pudesse ser. Meu segundo pensamento foi na Nerina. Enquanto meus pais trabalhavam fora, Nerina trabalhava em minha casa. Cuidava da casa e de meu irmão e de mim.

Desde cedo estabeleci uma relação muito forte com a minha cama. Só me levanto depois de dormir o quanto o corpo pedir (ou se tiver compromissos… Mas naquela época male male me preocupava em existir #saudadesdainfancia). Quando tinha uns 6 anos (lá se vão 25 anos, vixe!!), num dia qualquer que não fui à escola Nerina me acordou de forma abrupta “Vamos Ana Laura, vamos!! Acorda rápido! Rápido, vem!!”. A mulher nunca foi de grandes delicadezas, devo dizer. Eu meio acordada, meio sem entender se ainda estava a sonhar, comecei a levantar e me direcionar ao armário para trocar a roupa. “Não! Vem já! Tenho que ir no supermercado agora! Não precisas te arrumar”. Era necessário comprar algum ingrediente qualquer para o almoço que já estava no fogo. “Mas Nerina, eu tô de CAMISOLA!!!”.

Obviamente perdi a discussão e lá fomos nós ao supermercado ali próximo na mesma rua de casa. Eu a usar a minha camisola, que passava muito bem desapercebida enquanto vestidinho infantil, sem laçarotes no cabelo, sem comer e sem escovar os dentes. Nerina tinha pressa. Eu tinha vergonha da minha figura desleixada (haha como mudei!). Mas fomos. Penso que acordei de verdade já no supermercado. Comi por lá e diverti-me com a Nerina. Durante todo o percurso observava as pessoas (o hábito já florescia em mim), muitas delas olhavam para nós com um olhar esquisito que me incomodava.

Na volta para casa, já aflita com os olhares cheguei à minha grande conclusão da situação “Nerina! Tá todo mundo olhando pra minha camisola!!! Eu te disse que iam reparar! Eu disse!”. Ela riu-se de minha cara de quase choro e comentou com o porteiro do edifício, que também riu-se. Não entendi nada e passei o dia chateada com ela que me fez passar por tal vergonha. Quando minha mãe chegou com meu irmão para o almoço, Nerina contou-lhe nossa aventura e a razão de minha tromba e minha mãe também riu-se da minha preocupação. Ainda bem que crianças têm memória curta para chateações e não demorou muito, não me recordava da “grande humilhação” sofrida.

Mas aqueles olhares de reprovação perturbaram-me. Se não eram por conta da camisola, do que se tratavam afinal? Precisei crescer para entender. A infância nos permite uma inocência de olhar maravilhosa! Vemos o mundo em cores belas e não vemos problemas nisto. Quanto mais cor, melhor.

Nerina é negra.

Eu era uma criança loira.

O mundo não via com bons olhos andarmos de mãos dadas pela rua.

REFLEXÃO SOBRE VIOLÊNCIA GRATUITA, MACHISMO/FEMINISMO (OU SIMPLES GENERICISMO) E A FALSA SENSAÇÃO DE SEGURANÇA DO BRASILEIRO NA EUROPA

Apesar do título enorme, o evento por trás de uma reflexão sobre tão variados e, aparentemente, desconexos assuntos decorreu de forma extremamente rápida. Há alguns meses estava na Mouraria, em Lisboa, do lado de fora de um bar com alguns amigos. Dois deles acabavam de atravessar a rua, quando um carro passou com bem mais velocidade do que deveria naquela estreita rua repleta de pessoas. Algumas delas inclusive sentadas nos degraus das casas com as pernas esticadas para o meio-fio. Um de meus amigos precisou saltar para não ser atingido e quando o motorista passou por mim soltei um “Presta atenção!”, retribuído com um nada charmoso “Filha da puta!”, a partir do qual devolvi o clássico “Vá tomar no…” Desnecessário finalizar, não é? Alguns metros à frente o carro parou e, a partir daí, minha memória dos fatos são retalhos de ações, imagens e sentimentos. Lembro de por vezes ter ouvido minha própria voz em atraso, como se já não gritasse, mas o som ecoasse em mim.

Um homem alto e corpulento deixou seu carro escancarado no meio da rua para me dar uma “devida” surra. Porém durante seus poucos passos em minha direção se deu conta que sou uma mulher, lembro bem de abrir os braços incrédula e perguntar “Vais mesmo me bater?” e então resolveu direcionar sua fúria a meu amigo mais próximo. O primeiro soco o levou ao chão e passou a levar chutes e socos, alguém mais já colaborava com a agressão, outro amigo tentou tirá-lo dali e também passou a receber pontapés e socos. Eu corria, gritava, tentava pedir ajuda ou segurar braços, até perceber que realmente não seria agredida e adotei uma postura de possível escudo. Fiquei entre o agressor e sua gangue, pois nesse momento já havíamos percebido que ele devia ser um chefe de crime da região, ou qualquer coisa do gênero, e meus amigos a sangrarem. Ainda levei uns xingamentos e dedo na cara e o óbvio “Só não leva também porque é mulher”. Ele entrou no carro com tapinhas nas costas dos comparsas, mas não demorou muito a voltar.

Enquanto decidíamos o que fazer a seguir, eu havia anotado a placa do carro de forma nada discreta. Ele voltou, mas não nos viu no canto em que meu amigo passava gelo e tentava estancar o sangue da boca. Decidimos ir embora, nada de chamar a polícia, principalmente porque começamos a ser circundados por pessoas com movimentação e olhares estranhos voltados para nós. Os rapazes desceram para a praça e eu fui buscar o resto de nossos amigos dentro do bar, os encontrei abraçados a cantar numa alegria invejável, destruída em instantes com o meu olhar aflito e o meu “Vamos embora agora! Os meninos apanharam lá fora!”. Tudo isto aconteceu em menos de 10 minutos, com dezenas de curiosos a nos assistir sem qualquer reação em nossa defesa e trouxe-nos um olhar todo novo e desconfortável sobre a cidade que escolhemos viver.

Depois do ocorrido passei uma semana a sonhar com o homem a sair do carro com uma arma em punho apontada para mim. Senti-me culpada por terem sido as minhas palavras a provocá-lo, por meus amigos terem passado por aquilo, por ter ido àquele lugar, por reclamar que quase fui atropelada, mas principalmente, por não ter levado o soco. Quando abri os braços esperei apanhar. Pelo bem, pelo mal, já que o problema era comigo, que tudo acontecesse comigo então. Sair ilesa fisicamente quase destruiu minha alma. Dar colo ao meu amigo ensanguentado não foi capaz de apagar as minhas culpas de ouvir do troglodita (e de mim mesma) que tudo aquilo aconteceu por minha causa. Em um momento em que a violência contra a mulher anda tão discutida, o machismo daquele homem que não me bateu justamente por eu ser mulher chega a ser irônico. Que valores são esses que o fizeram investir com o carro sobre nós, mas o impediram de me bater? Para completar, o impeliram a descontar sua raiva contra o homem mais próximo de mim naquele momento? Se não houvessem homens ao meu redor o que teria feito?

Mas afinal, por que a culpa seria da vítima? Ao analisar friamente o episódio percebi que a causa daquilo tudo estava no tal homem e sua convicção da impunidade que decorreria, o que de fato aconteceu. Mais ainda, percebi ao recontar o episódio a outrém que os portugueses enganam-se ao acreditar que a violência em Portugal advém dos imigrantes. Gatilho protetor, ou pura xenofobia, perguntas como “mas ele era preto?” ou “não era português, pois?” eram as primeiras a surgir ao ouvirem a narrativa do ocorrido. Branco, português e perigoso. Mas vai saber se tal declaração vale qualquer coisa vinda de uma brasileira, não é?

Muito do que me encantou logo que cheguei à Europa foi a segurança com que me deparei. No Brasil, vivia atemorizada em sair de casa com meu computador ou máquina fotográfica, situação cotidiana e necessária. Usar fones de ouvido na rua então? É “pedir para ser roubada”! Em Lisboa este temor dissipou-se. Continuo atenta às minhas coisas, mas já não deixo de ouvir músicas pela possibilidade de ser assaltada.  Porém, depois de dois anos além-mar, observo o quão esta sensação pode ser falsa. O fato de a violência ser menos generalizada faz com que muitos brasileiros enganem-se de que seja inexistente, acreditam estar completamente seguros e baixam a guarda. Entre furtos em festas, assalto no metro, carros e casas arrombadas, conheço alguns brasileiros em Lisboa que precisaram redefinir os cuidados a serem tomados. E isto começa por mudar o olhar com que se vê a cidade, menos idealizada, de forma mais crua e realista.

Voltei mais uma vez ao bar. O desconforto que passei decidiu por mim não mais voltar. Há tantas outras opções, para que me forçar a viver o episódio novamente? Permaneço em Lisboa, continuo a amá-la, mas mantenho os olhos abertos, os sentidos apurados. Evito lugares soturnos, mas continuo a caminhar pelas ruas de madrugada, acompanhada ou não. Gosto de poder terminar conversas à porta de casa e só me preocupar em não incomodar os vizinhos, mas não deixo a porta destrancada ou a janela aberta sem ninguém por perto. Mesmo assim, caso algo semelhante se repita, continuarei a não deixar que alguém acredite que possa conduzir o carro em minha direção sem qualquer tipo de reação. Esta privação de voz seria a pior violência a ser sofrida.

Declaro não amar

Declaro meu desamor pela palavra amor. Pelo menos nos relacionamentos a dois. Dizer “eu te amo” destrói relações, quem diz amar, espera retorno intenso e imediato. O amor é egoísta.

Defendo o querer. O querer vem de si pelo outro. Vem do desejo, da fome pela companhia, da vontade. Posse. Nada mais coerente com a sociedade atual, tão materialista. E ainda tem mais, ou melhor, quer mais, pois afinal, quem quer não se contenta com pouco, com ouvir “eu também”. Quem quer não precisa ouvir nada, na verdade. Esse retorno tão pedinte do amor, não funciona no querer.

Já ouvi falar, presenciei e vivi relacionamentos em que, quando uma das partes pronunciou a famosa frase “eu te amo”, decretou a morte da relação. É quase um ultimato e, particularmente, eu não gosto de ser intimada. Aí é que está o problema, o amor pede declarações, o querer fala por si só. Um parece ser ensaiado, o outro é simplesmente espontâneo.

Não que o amor seja falso, nem pretendo com esta declaração menosprezá-lo, mas já o vejo como um complemento do querer. Prefiro que me queiram com amor, não que me amem com querer. Os espanhóis é que estão certos! Nada de “te amo”! “Te quiero”! Queira-me, deseje-me, possua-me. “Te quiero” com sotaque da Espanha mesmo, com a língua entre os dentes e, de preferência, com água na boca.

(Escrito em 2006 para o apenas sonhado Portal Café com Leite, esquecido entre tantos outros arquivos em 2012 e reencontrado em uma faxina digital agora em 2015).

Ai, as coisas que digo sem pensar.

Sou fascinada por entrelinhas e metáfora, adoro duplos sentidos e a redundância é minha grande companheira ao desenvolver histórias. Por que ir direto ao assunto se o interessante é o caminho percorrido e não o ponto final? Ando devagar porque já tive pressa (Almir Sater)… E não quero chegar suada, sem saber por onde passei! Faça-me o favor!

Porém, de vez em, bem, sempre, quando não presto a devida atenção no que digo, consigo soltar absurdos memoráveis (intensificados ultimamente por estar no país da língua mãe e, como tal, fala uma língua completamente diferente de seu filho, cheio das gírias, no caso de minhas origens).

A começar pela mais recente, esta semana, falando sobre a lua, o universo e tudo o mais, na eterna tentativa de adaptação linguística, soltei um vigoroso: “Nunca decoro qual o meu ascendente! Já vi várias vezes, mas sempre esqueço, só sei que o meu signo é CANCRO!” Para quem não pegou a piada, câncer em Portugal não existe, temos caranguejo (o signo) e cancro (a doença), pode começar a rir. Porque essa me valeu gargalhadas no caminho até em casa!

Tempos atrás encontrei uma amiga no ponto de autocarro/ônibus que havia ido ao Centro de Emprego e comecei a pedir informações sobre o Centro de DESEMPREGO, uma, duas, três vezes seguidas, ela me corrigia, eu me corrigia, mas a cacofonia era mais forte que eu, até que ela soltou “Olha lá, tens razão, ali realmente é o centro de desemprego, serve para os desempregados, mas o nome é Centro de Emprego” e eu “Ok, ok, tenho que lembrar que é Centro de DESEMPREGO” e desistimos do assunto.

Eu já estava por aqui há mais de 6 meses chamando o agrafador (grampeador) de GRAFADOR, quando minha chefe caiu na gargalhada porque lhe pedi GRAFOS pelo telefone.

Nem tenho como descrever a expressão de meus colegas de casa quando os alertei do CARAPANÃ(mosquito) pairando sobre suas cabeças. É sério! Parecia que eu estava invocando algum ser do mal paranauara. Foi demais!

Porém, não sou a única, tá?

Um amigo brasileiro recém-chegado por cá quis fazer graça no meio da tugarada e, achando que uma colega estava dizendo besteira (olha a ironia) soltou essa “Nossa! Bota um DUREX na boca dela para ver se ela se cala!”. Não entendeu? Eu explico, durex (fita autocolante) por aqui, chama fitacola, enquanto que tem uma marca muito conhecida de camisinha que chama Durex. Sim, senhores. Ele disse isso sem querer, querendo. Não faço ideia de como continua vivo…

Ah, também não posso esquecer o redator português com quem trabalho que tentando escrever em ‘brasileiro’, disse que um time ia PEGAR NO outro, estilo “Pega no meu…”, sendo que ele queria dizer algo como “O bicho vai pegar” e eu havia sugerido que um ia pegar o outro na próxima rodada. Ainda bem que revisei antes de ser publicado.

Também assumo que já fiz dessas antes de minha passagem por estas bandas de cá, cantava cheia de vontade o protesto em forma de oração do Monobloco assim “Ave mãe/ Filhos primos / Espíritos CAPITÃO PLANETA/ Façam votos /Criem versos tomem atitudes/Pra mudar a coisa que já tá pra lá de preta”. A situação tava preta mesmo, trocar ‘Espíritos que habitam o planeta’ pelo Capitão Planeta, mas foi um errinho ingênuo de terra, fogo, vento, água e coração!a2061162-5eb6-481b-a93e-63fa0448ed89

Daquelas coisas que todo mundo fala, mas só acreditas quando acontece contigo.

Sábado desses fui ao bairro boêmio de Lisboa com uma amiga brasileira recém-chegada do antigo Novo Mundo. Entre nossas andanças e dançansas, fomos várias vezes abordadas, de convites a dança à dois ao som de “Billie Jean” (incoerências rítmicas ébrias à parte) a receber flores em troca de beijos (na bochecha, minha gente), da qual me esquivei, mas de alguma forma ainda acabei com uma flor pendurada na bolsa. Duas jovens mulheres sozinhas na noite chamam a atenção. Pura e simplesmente. Até aqui, nada demais. Bem-sucedidas em nossa busca por diversão, ainda assim passamos por duas situações, as quais me deixaram sensações mistas.

Na primeira, fui abordada por um indiano (ou descendente, vai saber) em um inglês carregado de sotaque etílico. Já puxou conversa a perguntar de onde éramos e seu espanto com a resposta me soou genuíno. Espanto explicitado pelo comentário de que não dançávamos como brasileiras. A banda tocava “Happy”, do Pharrel Williams. Eu, que costumo sair lavada de suor das pistas de dança e, mesmo assim, recuso-me a dançar funk (Walesca Popozuda, não James Brown, façamos a diferença) por questões de princípios totalmente pessoais que não vêm ao caso, já supunha o que se passava naquela mente.

Com a maior naturalidade que pude exprimir perguntei como seria o tal jeito mais brasileiro, ele não soube dizer, eu pedi para que então demostrasse e assisti a um dos rebolados mais desengonçados que já presenciei na vida. Longe de achar engraçado, o que claramente era a intenção do sujeito, ao invés de gargalhar lhe disse “So it’s a slut way of dancing, hum?”, tradução livre minha (bem fui eu que disse, então só pode ser minha mesmo) “Então, é um jeito de vagabunda dançar, hã?”. Constrangimentos à parte, o fulano foi resgatado por um amigo, que deve ter percebido nossos olhares de repúdio.

Mais uma imperial para aplacar a sede, mais uma horinha a dançar e o cansaço bateu. Como tantas vezes antes, perdemos o autocarro e, com a noite tão agradável, fizemos o trajeto a pé. As duas friorentas de casacos a contrastar com muitos dos presentes nas ruas a usar regatas. Quase na Avenida da Liberdade um homem nos parou para pedir informações, desta vez em espanhol, onde havia um bar por ali? Dei as direções e quando já estava me virando para ir embora, veio a pergunta. ¿Sabes dónde encontrar mujeres? Falava a bater de leve o dedo médio na bochecha, o gesto perdurou tempo suficiente para entender que aquilo deveria ser algum código qualquer ao qual não estou obviamente familiarizada. ¿Para conocer o para pagar? Respondi sem hesitar. Para pagar, disse com um passo a frente. Pues sigue el camiño que te dice y vá en busca de lo que procura.

Segui meu caminho a procura de quaisquer indícios em minhas roupas que poderiam passar tal impressão, porém as únicas curvas que meu casaco comprido revelava eram as de meus joelhos, os quais estavam bem cobertos com minhas calças. Pele de fora? Só das mãos e do rosto. Então, de onde aquele espanhol tirou que eu podia ser uma prostituta? Do sotaque, óbvio.

Ouviu-nos conversar, identificou nosso jeito de falar e, pumba! Duas brasileiras na rua àquela hora, o que mais poderíamos ser, não é mesmo?

Obstáculos na pista.

Ao correr pela pista de corrida próxima a minha casa me deparo com um casal de velhinhos a caminhar (passeio, não desporto) na direção contrária. Tranquilo, situação normalíssima em qualquer parte do mundo, até que o velhote (expressão totalmente usual e nem um pouco pejorativa, sim, esta nota é para os brasileiros) a uns 5 metros de distância começa a praguejar para o meu lado. Com a música alta no ouvido, só consegui perceber pelos furiosos gestos do velhote a apontar para a pista e para o resto da calçada que deveria ser um ultraje eu escolher justo a pista de corrida para, afinal, correr.

Palavra de publicitário

Naquele fastfood em Barcelona havia um cartaz em francês a promover a linha de café da casa. O publicitário logo criou sua teoria e compartilhou-a com  os amigos: “Que empresa séria! Devem ter feito pesquisa com os consumidores e percebido uma grande tendência de franceses a comprar cafés da rede aqui. Deve ser esse o porquê desse cartaz aqui”. 

Fascinados com a perspicácia do companheiro de viagem, o grupo conversa com o gerente para comprovar a teoria. “O porquê do cartaz em francês? Ah, veio trocado do fornecedor, aí pra não ter mais trabalho pra trocar, penduramos logo esse. Quem não fala francês, entende pelas fotos.”

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Sábado passado foi meu aniversário. Sábado passado também foi o derradeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo 2014. Perdeu de 3×0 para a Holanda. Poderia ter sido pior, como poucos dias antes o foi. Ou  ainda como em meu aniversário de 1998. Sabe, a final da copa caiu bem no meu aniversário naquele ano, vínhamos de um tetra (é tetraaaa, é tretaaa!!) e tínhamos um Ronaldinho (futuro o Fenômeno, mais futuro ainda Ronaldo, o Gordo).  Brasil x França. Todos sabemos o que aconteceu durante o jogo, porque antes disto permanece um mistério, se a Nike comprou o jogo, se o Ronaldinho teve um pirepaque nervoso ou comeu escargot estragado, se ele flagrou a Susana Werner com o Pedro Bial ou foi macumba/intriga da oposição, não interessa. O que interessa é que o resultado coincidentemente foi a derrota brasileira por 3×0, o orgulho nacional ferido e um parabéns com um gosto amargo no bolo de chocolate. É bem chato que seu dia feliz seja no dia triste da nação e, bem, gosto bastante do meu aniversário, hehe, o dia com a perfeita desculpa para serelepices. Aí uns anos depois no aniversário do meu pai, uns aviões acertaram umas torres nos EUA e causaram um tanto de caos, um tanto de guerra, um bocado de dor e miséria e então pensei: afinal podia ter sido pior, orgulho ferido recupera-se, enquanto vidas perdidas… Aguardo pelos acontecimentos a decorrer nos aniversários de meu irmão e minha mãe, espero que encontrem a cura para a AIDS. PS: Todos sabemos também o resultado da Copa seguinte (é penta, é penta, é pentaaaa!!).mini craques 1

Cadê a toalha?

Segunda vez esta semana que esqueço de levar a toalha para o banho (Atenção! Hoje ainda é terça-feira).

Sorte minha ou azar, ainda não decidi, não havia ninguém em casa e pude sair correndo e dando umas escorregadas básicas até o varal de roupas onde costumo deixar a dita.

Sorte do vizinho do prédio em frente, prefiro pensar que seja, o qual em sua pausa habitual para um cigarro na janela presenciou a minha passagem pela longa janela da cozinha até alcançar o cantinho onde fica o varal.